Elisa Lispector foi tão bruxa das letras quanto a irmã, a Dona Clarice. Ela foi uma escritora muito habilidosa, mas ofuscada pelo brilho da sua consanguínea. Em ‘O Muro de Pedras’, temos uma ode à solidão, um solilóquio introspectivo protagonizado por Marta. Depois que a mãe parte em uma viagem de navio sem perspectiva de volta, a filha se vê diante de um monstro: a liberdade.

Sim, ela descobre que essa tão desejada ‘liberdade’ era um prisão. Paradoxal, não? Marta se desfaz do marido, pois era infeliz, e vai em busca de explorar o mais íntimo do seu ser. ✏️”Marta não dizia sim, não dizia não. Mudava. Hesitava. E os dias assim iam-se arrastando numa sequência morna e uniforme, encobertos por densa bruma. Jogada para dentro de si mesma, ela se encolhia, procurando abrigo dentro do seu novelo de solidão e da falta de ressonância. E, quando o novelo se desenrolava, prolongava-se numa vaguidão aflitiva, ela resvalando para um tédio comprido. Então dormia um sono vazio como a morte, um sono sem fundo e sem praias.” (p. 52)

O livro ganhou o Prêmio de Romance José Lins do Rêgo, de 1962, por uninamidade. O júri: Rachel de Queiroz, Otávio de Faria e Adonias Filho. Um achado na Estante Virtual que vou guardar pra sempre.