Série: Minhas Frases Favoritas

Começo com uma passagem de Passeio ao Farol, de Virginia Woolf:

A Sra. Ramsay sabia que era sempre possível sair da própria solidão através de alguma bagatela, algum objeto, algum som. Pôs-se à escuta, mas tudo estava calmo; o críquete terminara; as crianças estavam no banho; havia apenas o barulho do mar.


Parou de tricotar; ergueu a longa meia castanha que oscilou por um instante em suas mãos. Com uma certa ironia em sua indagação — pois, quando uma pessoa acaba de acordar totalmente, seus relacionamentos se transformam —, olhou a firme, inexorável, implacável luz que era, ao mesmo tempo, tanto ela e tão pouco ela, e pela qual tinha devoção (acordava à noite, a via curvar-se ao redor da sua cama, riscando o chão).

Mas por tudo isso — pensou, enquanto a olhava fascinada, hipnotizada, como se a luz fizesse surgir, com seus dedos de prata, algum
veleiro em seu cérebro que, ao explodir, a inundaria de prazer — conhecera a felicidade, a mais perfeita felicidade, intensa felicidade.

Entretanto, à medida que a luz do dia enfraquecia, e o mar perdia seu azul e se encrespava com suas ondas amarelas cor de limão, e estas se curvavam, cresciam e rebentavam na praia, o êxtase inundou seus olhos, e ondas de puro deleite precipitaram-se no fundo de sua mente, e ela sentiu: “Chega! Basta!”.

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