Mal Secreto, de Zuenir Ventura

O livro Inveja: Mal Secreto, de Zuenir Ventura, já começa com uma advertência: o que se vê a seguir é uma tentativa de escrever sobre a inveja, e não diretamente acerca da inveja. E é exatamente o que percebemos ao longo das 264 páginas do livro. O autor nos suga numa incrível história de medo, prazer e apuração jornalística. Logo no primeiro capítulo nos é apresentado Kátia, a filha ilegítima de uma mãe de santo no Rio de Janeiro. É partir dela que Zuenir Ventura desfiará uma teia de acontecimentos que nos levará uma reflexão sobre este mal secreto: a inveja.

O autor nos conta como surgiu a conversa sobre inveja pela primeira vez: foi numa viagem que fez a Angra dos Reis com sua esposa e mais duas mulheres. Ventura diz que não se lembra exatamente como o tema “inveja” apareceu na viagem, mas lembra de Dorrit, uma das viajantes, falando que o tema a fascinava pois se tratava de um assunto insidioso, inconfessável e inesgotável. A conversa dos dois foi se estendendo até a cidade de Lídice. Depois, ele conta que dois anos depois foi convidado pela Editora Objetiva a escrever sobre o tema inveja, numa série dos sete pecados capitais.

O interessante do livro é que o autor aceitou o tema mesmo sem ter total conhecimento acerca dele. É quase um ensaio pós-moderno com licenças literárias para escrever no coloquial, expondo livremente idéias sobre o tema abordado. É uma apuração jornalística. Muitas vezes, tem-se a impressão de que Zuenir está escrevendo para um jornal. Fato que se comprova quando o autor vai várias vezes ao terreiro de Ubanda entrevistar a mãe de santo, ou para procurar Kátia, com quem tem sérias conversas acerca de uma misteriosa morte ocorrida no seu passado sombrio.

Ventura expõe também seus problemas pessoais, ao relatar o descobrimento de um câncer na bexiga, que o impedia de urinar normalmente e causava bastante dor. Às vezes brincava com o ocorrido, pois o médico havia dito que ele estava com dois polipos na bexiga. Zuenir logo indaga: seria “pólipos” ou “polipos”? O que se segue é uma maratona de exames e preocupações para o autor, que às vezes vai deixando este assunto de lado para tratar de outras observações do livro.

A investigação da vida de Kátia não pára por aí. Ele tenta descobrir como o seu ex-amor, Fernando, morreu misteriosamente depois de ingerir uma certa quantidade de comida. Zuenir Ventura entrevista várias vezes a filha de santo, tentando descobrir detalhes do ocorrido e da vida dos dois, inclusive de outro homem que também era muito apaixonado por Kátia, o Ivan. Ele havia dito que “entre sexta e domingo”, Fernando voltaria para Kátia através de um pó mágico que era depositado na comida de Fernando. Mas acontece que Ivan, o invejoso, instigou Kátia a usar mais do que o devido, causando “overdose” em Fernando, levando-o à morte. Até mesmo Kátia só foi suspeitar disto depois que Ventura investigou mais profundamente. Descobriu-se que era Digoxina, um químico que pode ser letal e terapêutico ao mesmo. Se houver uso excessivo, pode matar.

Por fim, Ventura comemora o fato de ter desvendado o mistério. “Inveja — Mal Secreto”, é um livro muito interessante, de fato bastante “jornalístico”, uma característica inerente ao autor, já que ele exerce a profissão. É uma leitura obrigatória para quem gosta de mistério, aventura e suspense em um só lugar.

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