A Boa Filha, de Karin Slaughter – O primeiro Kit da TAG Inéditos

Quando a TAG Experiências Literárias foi lançada, fiquei naquela dúvida se realmente valeria a pena. Fiquei desconfiado pela ideia de receber livros “surpresas” em casa, mesmo se viessem com algum mimo e outros objetos para justificar o valor pago mensalmente. Fiquei ‘namorando’ a vontade de assinar por bastante tempo, até que fiquei sabendo de uma reformulação da proposta. Hoje, a TAG se compõe de Tag Curadoria e TAG Inéditos. Foi este último que me chamou a atenção.

A TAG Curadoria continua com a premissa inicial: edições de luxo com mimos, cujas histórias são indicadas por grandes nomes da literatura. Ok. Já a TAG Inéditos me ganhou pela proposta de enviar aos assinantes obras de fato inéditas no país, inclusive traduzidas especialmente para os leitores do clube. Fiquei interessado quase instantaneamente. Quais livros eu leria que ainda não foram lançados no Brasil e que seriam tão cativantes assim? Não resisti ao impulso: peguei o cartão de crédito (já tomado por gastos supérfluos do mês) e simplesmente assinei. Dez dias depois, a primeira edição do Inéditos chegou e tenho só uma palavra: espetacular.

O livro veio numa caixa super bem cuidada, nota fiscal, um marcador com o mesmo tema do livro e um infográfico bacana sobre a história – que você deve ler antes de começar o livro de fato. O infográfico também vira um poster com uma ilustração referente à história. Confesso que lembrei de observar o desenho só depois de terminar o livro.

Ah! E veio também com uma cartinha de boas-vindas, pois foi o primeiro kit da série TAG Inéditos.

A autora

Eu não conhecia a Karin Slaughter. Não sabia que ela tinha produzido tanto material. Os livros dela já foram traduzidos em 36 idiomas, com mais de 35 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Nascida no estado da Geórgia, EUA, Karin atualmente mora em Atlanta. Sua série Will Trent, a série Grant County e a novela independente Cop Town estão em desenvolvimento para filmes e televisão. A Boa Filha já foi traduzida para o português de Portugal. Para o Brasil, foi traduzido pela TAG exclusivamente para os assinantes.

A história

Sem spoilers, eu sei. Tudo começa em 1989. Sam tem quinze anos e a irmã mais nova, Charlie, tem treze. Elas moram em uma antiga casa de fazenda, pois alguém incendiou a casa anterior que elas viviam com um explosivo. O ataque foi provavelmente alguém com raiva do pai advogado, Rusty Quinn, que defende homens que muitos advogados jamais representariam: os sujeitos mais mau caráter que você possa imaginar.

Desde então, elas vão passar por várias e sufocantes desafios que deixam o livro altamente interessante e com aquela vontade de terminar de ler.

A Boa Filha é o tipo de romance que te traz umas sensações que você achava que jamais sentiria lendo. Você sente as pancadas da escrita da Karin. Às vezes é tão intenso que você se pega na ansiedade.

A sensação que eu tive é de estar lendo um roteiro de um filme. Eu podia visualizar os personagens dialogando, gesticulando, brigando por seus objetivos. Cada “cena de ação” é detalhadamente esmiuçada pela autora. De fato, você imagina estar “assistindo” aquela cena. Imagina cada movimento. Até imita a voz dos personagens, como se participasse do diálogo. Você fica angustiado, com raiva do personagem xis ter feito tal coisa e celebra por ele ter finalmente dito essa outra coisa.  Não lembro de ter lido um “livro de ação” tão veloz e ágil como esse.

Um ponto negativo é a tradução exclusiva feita pela TAG. Faltou uma revisão mais eficaz. Muitos erros de ortografia. Artigos fora do lugar, palavras escritas de forma errada, traduções meio desconexas. Como adquiri (a muito custo) uma velocidade de leitura mais rápida, acabo perdoando pois vou entendendo o contexto no qual aquela frase foi escrita. Mas algumas frases simplesmente não há como perdoar tão facilmente. Gosto de riscar os meus livros, pois assim memorizo passagens, frases e ideias caso eu queira reler depois. Nesse livro da TAG, sublinhei todos os erros que achava, e a cada riscada no livro eu me impressionava.

Quando terminei, imaginei estar com saudade da Sam, da Charlie, das piadas do Rusty e a cumplicidade com o Ben. Estranho essa ligação que a gente tem com os personagens de um livro. Eles duram justamente o tempo que você lê. Mas, querendo retornar ao universo novamente, é só abrir ele de novo e relembrar as melhores passagens – devidamente grifadas, é claro. 😅

Para quem assina o clube e já leu, fica a pergunta: o que foi aquele plot twist aos 45 do segundo tempo? 😱 Eu até ia dormir, pois a intenção era ler só umas páginas, mas precisei terminar logo de tanta ansiedade.

No mais, assinar um clube de livros e recebê-los em casa todo mês é uma experiência nova e bem diferente de ir numa livraria e comprar qualquer livro por achar a história da orelha dele bacana. O legal é saber que são edições exclusivas para os associados, escolhidas por quem entende do assunto. Imagino eles apostando todas as fichas numa história: essa daqui vai ser um sucesso… todo mudo vai gostar! Pode mandar imprimir.  É quase um tiro no escuro. Não se sabe se as pessoas que assinam o clube realmente vão gostar, mas, pelo menos até agora, na minha sincera opinião, a TAG está acertando nas escolhas dos enredos e na maneira de divulgação – deixando a surpresa tomar conta de quem espera ansiosamente o próximo livro chegar.

A Boa Filha (The Good Daughter)
by Karin Slaughter
Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 476
Brochura

 

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